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Os tempos estão mudando

Você reparou que já estamos quase no fim de setembro? É primavera

23/09/2018 - 00:00:00. - Por Renato Muniz Barretto de Carvalho

Você reparou que já estamos quase no fim de setembro? É primavera e alguns passarinhos cantam de modo diferente. Bem-te-vis, sabiás, maritacas e outros pássaros que habitam as cidades estão agitados. As chuvas começaram e o frio foi embora. Frutos verdes se destacam nas mangueiras. Se tudo correr bem e os ventos não forem muito fortes, teremos uma boa carga desses deliciosos frutos. A vegetação já não está tão seca e o verde se sobressai na paisagem. Assim que a chuva cair com vontade, a poeira diminuirá e o ar ficará mais limpo. O que se espera é que as chuvas venham mansas, sem estropícios. Virão no tempo certo?

Tempo certo? Ando desconfiado dessa normalidade climática. O tempo e eu estamos mudando rapidamente. Tenho plena consciência de que estou envelhecendo, mas o clima... O clima envelhece? Falam tanto em mudanças climáticas, isso é um processo natural ou provocado?

As sibipirunas estão floridas e enfeitam as ruas e as praças. Apesar da beleza das flores, sempre há os que acham ruim a presença das árvores, acham que as folhas que caem sujam as ruas e os quintais. Ranzinzas e desinformados estão em todo lugar. Felizmente, existem aqueles que enxergam formosura no colorido delas, no canto dos pássaros e apreciam os variados sabores das mangas: manga Sabina, manga Espada, manga Rosa, manga Coquinho... Dá saudade do tempo em que eu e meus irmãos sentávamos embaixo de uma mangueira e nos fartávamos de tanta manga. Os dentes ficavam cheios de fiapos. Hoje, elas já vêm sem fiapos. Eu percebi a mudança quando passei a comer manga com garfo e faca, sentado à mesa, às vezes sozinho. Será que os meninos de hoje conseguem acertar uma manga madura nas grimpas? Derrubaram tantos pés de manga, de jabuticaba, de tamarindo, tantas árvores, nos quintais, nas áreas rurais, nas margens de rios, na Amazônia... Não consigo imaginar que foram meninos que comiam mangas no pé que derrubaram essas árvores todas, eles não fariam isso!

Quem teve um tempinho ao final da tarde e olhou para o horizonte nesses últimos meses de seca, deve ter visto um barrado mais escuro. Parecia poeira, tinha um aspecto nublado e era isso mesmo: partículas soltas, tocadas pelo vento, solo desagregado, fuligem e outros poluentes. Muitas crianças e idosos vão para os hospitais e clínicas médicas por conta de problemas respiratórios. Até nas casas fechadas a poeira fininha entra pelas frestas e se acumula sobre os móveis e no chão. Haja vassoura e pano úmido! Se não têm árvores, falta sombra, falta saúde... As preocupações agora são outras: como virão as chuvas? 

Daqui a pouco, será dezembro, fim do ano... Mais um ano! A vida segue seu caminho e nós envelhecemos. Temos de brigar uns com os outros ou podemos viver em paz? Vamos plantar árvores ou reclamar da vida nas redes sociais?

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