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O mal do século

Vivemos um tempo em que não nos desconectamos nem mesmo para dormir

04/08/2018 - 10:40:55. Última atualização: 05/08/2018 - 10:41:09.

Vivemos um tempo em que não nos desconectamos nem mesmo para dormir.

Estamos sempre com a cabeça nos e-mails que não respondemos, nas mensagens que não recebemos e até mesmo nas fotos que não publicamos.

Vejo constantemente, em bares e restaurantes, mesas rodeadas de pessoas que estão completamente conectadas, e que simplesmente não conversam entre si.

As redes sociais podem aproximar as pessoas, podem ajudar a divulgar o seu trabalho, podem ser uma imensurável fonte de troca de conhecimento, podem mobilizar milhares de pessoas para buscar mudanças em prol do bem comum; podem nos trazer muitas coisas boas, eis uma afirmação inegável.

Mas e quando estas se tornam uma válvula de escape para os problemas e frustrações da vida? A maior parte das pessoas quer simplesmente descarregar tudo o que sente, e às vezes de forma contrária. Daí, muitas vezes quer passar a imagem de uma falsa felicidade e de uma vida que, na verdade, é completamente diferente daquilo. O pior é quando a pessoa se torna excessivamente dependente, e se esquece de viver de maneira plena, tendo assim duas vidas: uma real e uma virtual. Devido a tudo isso, a comunicação e as relações têm se tornado sempre mais superficiais e vagas.

As interações reais, as conversas “olho no olho” são a cada dia menos comuns; enquanto a solidão, o egocentrismo, a carência, o narcisismo e o individualismo são crescentes, o que nos faz questionar se tais avanços tecnológicos são realmente uma evolução. Talvez sim, pois depende do uso que fazemos; mas claramente têm nos trazido inúmeros prejuízos.

Definitivamente, somos seres que dependem uns dos outros para viver. Mesmo se “o inferno é os outros” como dizia o filósofo Jean-Paul Sartre, precisamos sim nos relacionarmos com as outras pessoas, por mais que em algumas situações possa parecer desagradável a socialização.

E as novas tecnologias estão tentando nos convencer de que não, de que na verdade precisamos mais delas do que das pessoas, afinal encontramos tudo o que queremos através da internet, não é? Não, não é. A internet só é útil quando ela serve de complemento para a nossa vida, e não quando ela toma o seu lugar. As tecnologias podem sim ser muito úteis para a humanidade (já o foram bastante), mas cabe a nós saber como usá-las, sem que nos prejudiquem. Afinal, as tecnologias são para nós as utilizarmos ou para que elas nos utilizem? 

(*) Estudante

 

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