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Uberaba, 18 de outubro de 2018 -

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Espírito de porco

Diariamente nos deparamos com notícias ruins. Basta ler jornais ou revistas

04/08/2018 - 10:39:38. - Por Márcia Moreno Campos Última atualização: 05/08/2018 - 10:39:57.

Diariamente nos deparamos com notícias ruins. Basta ler jornais ou revistas, assistir TV ou simplesmente participar de grupos de WhatsApp. Elas chegam e se inserem em nossas conversas, reflexões e atitudes. São tragédias nacionais ou de outros países, dramas individuais ou coletivos, como atentados a bomba, mortes por falta de atendimento médico, demissões em massa, assassinatos, falências de empresas e corrupção generalizada. Todos ficam sabendo, porém reagem a elas de forma diferente.

Na recente greve dos caminhoneiros, que tantos danos causou à já combalida economia brasileira, fiquei assustada com reações de contentamento por parte de pessoas que defendem o quanto pior, melhor. São os que eu denomino “espíritos de porco”. Dizem que o porco é um animal teimoso e faz sempre o contrário do que é forçado a fazer. Para conduzir o animal para a frente, basta puxar o rabo dele para trás. Em contrapartida, para ele ir para trás, puxamos as orelhas para a frente. Assim se comportaram muitos. Diante das reivindicações justas dos caminhoneiros e da dificuldade de negociação do governo, fraco e nos seus últimos meses, torceram e alardearam o caos. Recomendavam a corrida aos supermercados para abastecer os lares, pois tinham notícias quentes que a greve se estenderia por muito tempo, e o faziam com indisfarçável contentamento. Como arautos da boa-nova, anunciaram a iminência de um golpe militar no país. O esvaziamento da greve os fez murchar. São os mesmos que diante da notícia sobre a decretação da falência de um shopping em Uberaba (depois desmentida) disseram em alto e bom tom: bem feito, eu sabia que não ia dar certo. Torcem contra nossa cidade e país, incapazes que são de usar a crítica como ajuda para a solução e não como gozo pelo fracasso. 

Quero deixar claro que sou uma crítica contumaz. Como cidadã, padeço com o preço alto dos combustíveis e, como economista, vislumbro erros empresariais que podem levar a consequências desastrosas. Nem por isso torci pela permanência da greve, com suas graves consequências, e sofro muito com a perspectiva de fechamento de quaisquer empresas. Sou contra as pessoas que estão sempre do avesso, acusando e apontando os erros dos outros, num dar de ombros acintoso com o problema alheio. A palavra que me vem à cabeça diante de qualquer notícia ruim sempre é solidariedade. As tragédias estão cada dia mais próximas de todos nós e atingem até os espíritos de porco.

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