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Estímulo é fundamental, concluiu o pai ao tomar consciência do mal que, embora involuntário

04/08/2018 - 00:00:00. - Por Ricardo Cavalcante Motta Última atualização: 04/08/2018 - 22:06:49.

Estímulo é fundamental, concluiu o pai ao tomar consciência do mal que, embora involuntário, fizera ao seu filho. Recebera da cegonha o rebento com todo amor. Passou a cuidar do filho com pleno zelo paterno. Não mimava, dava bons exemplos. Conselhos não faltaram. Monitorava o filho em toda prática escolar. Cobrava boas notas. Prestigiava as festividades colegiais e demonstrava amizade ao incentivar e acompanhar na prática esportiva. Proporcionava ao filho atividades artísticas e culturais extracurriculares para despertar eventual talento. Cuidou da sua iniciação religiosa, sem imposições de seita. Demonstrava caridade. Apresentava modelo de bom desempenho profissional. Sugeria alguma ambição para, oportunamente, garantir o provimento familiar. Parecia tudo certo. O pai provedor foi fornecendo todos os meios ao bom desempenho do filho, mais proteção, diálogo e exemplo. Receita cumprida. Tudo colocado ao alcance do filho. Ocorre que o filho foi adquirindo idade já avançada e não saía de casa, não construía vida própria. O pai questionou o filho e este reclamou do seu vazio. Não sabia seguir sozinho, não tinha impulso de buscar seu caminho pessoal. E então explicou. "Deu-me tudo, papai. Ao tempo da infância, a bola, a bicicleta, a raquete, antes mesmo que eu pedisse. Antecipava. Ao tempo da adolescência, o computador, a guitarra, a viagem... e assim se foi. Não tive desejos, não aprendi a sonhar. Apenas segui seu figurino bem-intencionado. Não desenvolvi estímulos. Agora acho que tudo naturalmente virá, como Adão no paraíso. Mas a vida não é esse paraíso. Tem briga. E eu estou sempre esperando a coisa pronta". Perplexo, o pai se deu conta que ruiu seu próprio sonho não dando espaço sequer para seu filho aprender a sonhar. Criou um paraíso artificial. Como no gênesis, não vingou.

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