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Ilca Borba Marquez - 14/03/2018

A loucura poltica no enclausuramento feminino

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Dois ícones históricos emocionam-nos pelo desenrolar de suas vidas submetidas que estão aos momentos políticos de seus países destinando-as ao enclausuramento por anos e anos para manutenção dos algozes no seu pleno direito de liberdade. A primeira é D. Joana de Castela e Aragão (1479 – 1555) e a segunda é a Marquesa de Alorna D. Leonor.

Conhecida como D. Joana, a Louca – viveu enclausurada em Tordesilhas durante 47 anos enquanto seu pai D. Fernando mantinha-se como governante de Castela. Uma mulher em cujos textos é apresentada como de rara beleza e grande riqueza o que deveria lhe proporcionar uma vida plena e feliz e, no entanto, arrebatam-lhe tudo, inclusive os 6 filhos, justamente aqueles que lhe são caros e amados de quem poderia esperar proteção, cuidado e parceria. Ainda bem que para muitos, a loucura era apenas invenção dos que lhe usurpavam o poder.

D. Joana de Castela, com apenas dezesseis anos, embarca em Laredo para oficialização do casamento com o arquiduque Felipe da Áustria, reconhecido pela alcunha de “o belo”. Este, ao vê-la, rompe todo o protocolo e exige benção apressada do capelão, pois não pode esperar o casamento oficial para a consumação imediata de um amor irrefreável. Depois, durante o relacionamento, D. Joana mostra comportamentos estranhos que começam com ciúmes exagerados para depois passarem por apatia, abolia e anorexia, em seguida atos voluntariosos e sem limites. Há o relato de vários episódios que a racionalidade não consegue explicar como também o desejo do marido Felipe e do pai Fernando de se apossarem da coroa de Castelo e Aragão, e finalmente ela é enclausurada em Tordesilhas - 15 de fevereiro de 1509 até sua morte em 1555.

A segunda é a 4ª Marquesa de Alorna, D. Leonor de Almeida Portugal, enclausurada no convento de São Felix, em Chelas, por ordem do Marquês de Pombal, durante 19 anos, quando a Família dos Távoras foi executada ou banida da corte, para não estarem mais  frente ao Rei que sofrera um atentado, sem maiores consequências, já que permanecia vivo, numa sentença emitida pelo secretário Sebastião José de Carvalho e Melo, sem julgamento ou provas concludentes. Leonor, sua mãe e irmã Maria foram encaminhadas para um convento de penitentes e arrependidas onde a autotortura era comum e frequente com os mais diversos instrumentos: cilícios e vergatas, açoites e disciplinas, azorragues e cadenilhas e ainda deveriam praticar sempre a abstinência para serem assim amadas por Deus.

Uma deveria ser Rainha, a outra pertencia a família de maiores posses e importância no Reino de Portugal: a proximidade ao poder atrai e mata como as vespas em busca da luz que queima. 

(*) Psicóloga e psicanalista
ileaborba@gmail.com




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