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Olga Maria Frange de Oliveira - 13/03/2018

So Jos, Padroeiro dos Artesos

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José, o carpinteiro, ou José de Nazaré, segundo o Novo Testamento, é o esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus. Descendente da casa real de David, é venerado como santo pelas igrejas Ortodoxa, Anglicana e Católica. A Igreja Luterana também dedica o dia 19 de março à sua memória.

Por ter exercido o ofício de carpinteiro, tornou-se padroeiro dos operários, dos carpinteiros e dos artesãos. É, também, o protetor das famílias, pela fidelidade à sua esposa e dedicação paternal a Jesus. O dia dedicado a São José é 19 de março.

A noção de arte popular não designa um estilo artístico, uma técnica ou um tipo único de objeto. Seu campo de produção estabelece conexões com diferentes linguagens artísticas em que a criatividade e a autoria individual ocupam lugar central. Ao mesmo tempo, traduz um modo de ser nativo, de criar e transformar a partir do que se tem em torno de si.

A argila ganha forma e se transforma em belas peças de cerâmica. Em Uberaba é uma tradição herdada dos imigrantes italianos. A fibra, por sua vez, transforma-se em tecelagem, trançados, nós, cestos e em uma infinidade de bordados. A madeira é o material que se oferece para o entalhador dar vida a formas que vivem em seu imaginário. Abrange desde mobiliário, passando pela arte sacra até chegar às miniaturas, peças decorativas como fruteiras, bandejas, pilões e até monjolos e carros de boi.

A maioria dos artesãos inicia seu aprendizado muito cedo, acumulando conhecimentos das técnicas que utilizam, tornando-se verdadeiros porta-vozes do saber que atravessa gerações. Suas comunidades, seus pais, avós, vizinhos e amigos tiveram importante papel na definição de seus destinos profissionais. Foram seu chão, inspiração e impulso.

O artesanato nos remete ao aconchego da vida familiar naquilo que ela tem de mais recorrente em nossas reminiscências. Ele nos leva de volta à infância, à vida mais simples e próxima da natureza, às conversas ao redor do fogão de lenha, aos bancos toscos de madeira, às cortininhas alvas e rendadas nas janelas, às colchas de fuxico feitas por nossas bisavós e avós, às peças de tear de puro algodão, ao aroma das flores do campo e dos saborosos quitutes que nos dão água na boca, aos oratórios e objetos ligados à religiosidade intrínseca de nosso povo.

A arte dos nossos artesãos nos remete a uma visão mais lúdica e feliz e nos aproxima de nossas verdadeiras origens. A fuga do mundo virtual e tecnológico para um “cantinho” que permanece intacto dentro de cada um de nós.

A “Associação Uberabense de Artesãos e Artistas”, ou simplesmente “Casa do Artesão”, congrega um grupo de artesãos de primeira linha, cujos trabalhos estão incluídos em catálogos organizados por tipos de materiais utilizados, como: fibras, madeira, têxtil e minerais. Esses catálogos de artesanato elaborados pelo Sebrae, em parceria com o Governo de Minas, enche-nos de orgulho ao nos depararmos com obras de artistas uberabenses, como: Sheila Maria de Carvalho da Silva; Lúcia Vendramini; Luiz Sérgio da Silva; Rhaavi Dionísio; o casal Sandra Monteiro e José Eduardo de Araújo; o casal Andréia Martins e Adalton Januário (ambos deficientes visuais); Antônio Alves de Abreu; Juliana Zandonaide Teodoro; Helga Hatschbach Stecker; Maria Aparecida Borges de Freitas; Antônio Cleofas e Míriam Lúcia da Silva Gomes. Estes são apenas alguns dos inúmeros artífices que engrandecem o nome de Uberaba com sua enorme criatividade e talento, como os consagrados: Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Aguimar José Luiz, Inimá Souza Carvalho e Maria Helena Ciriani. Nossos artesãos se somam a centenas de outros de todos os rincões de Minas Gerais, que, graças a esses geniais artistas, ocupa um lugar de grande destaque na produção nacional.

Enquanto aguardamos as “águas de março fechando o verão”, peçamos a São José, neste dia a ele dedicado, que proteja todos os artesãos uberabenses, trazendo-lhes cada vez mais inspiração nas suas criações e prosperidade pelos caminhos dessa arte elaborada pelas mãos abençoadas desses grandes artífices, que surgem, em sua maioria, nas pequenas cidades do interior. É por meio de suas obras que passa a existir o que definiríamos como uma verdadeira “identidade cultural” nas diferentes regiões do Estado. Cada uma produz uma arte com características próprias, utilizando materiais específicos da região. O Triângulo Mineiro é uma zona bastante rica e homogênea em sua produção. 

(*) Pianista, professora, maestrina, regente do Coral Artístico Uberabense, pesquisadora da História da Música em Uberaba, ex-diretora geral da Fundação Cultural de Uberaba

 




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