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O procurador e o idoso

Maldito foi o tempo em que qualquer pessoa, porque tinha uma certa posição, ou ser autoridade

- Por João Eurípedes Sabino Última atualização: 09/03/2018 - 20:02:14.

Maldito foi o tempo em que qualquer pessoa, porque tinha uma certa posição, ou ser autoridade, enchia o peito e cobrava do outro: você sabe com quem está falando? E o outro, recolhido em sua humildade, se submetia aos arroubos e jactâncias do arrogante.

Vejo por outro lado que a “carteirada” propriamente dita quase desapareceu, mas se deixarmos, veremos o seu ressurgimento. A Lei 8.112/90 estabelece em seu art. 117, IX, que cometerá transgressão legal o agente público que: "Valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública".

Imaginem a seguinte cena: uma baita caminhonete, daquelas que ladrão não gosta, estacionada num espaço reservado exclusivamente ao idoso. Vidros extremamente escuros, inclusive o para-brisa, além do que, a bruta não tinha visível o Cartão do Idoso exigido pelas autoridades do trânsito. Um adesivo no vidro apenas avisava: “Procurador Federal”. Enquanto isso um idoso foi obrigado a estacionar seu carro longe e numa rampa íngreme. De lá ele trouxe nos braços o neto para ser atendido num hospital. A lei não faz distinção, ou seja, procurador e qualquer mortal são iguais. E são mesmo?

A mãe da criança só não colocou a caminhonete infratora nas redes sociais para o mundo ver em face do pedido do avô do menino: “Deixa isso pra lá, ele é poderoso, não vai dar em nada!”. O demorado infrator com sua atitude parece ter dado de ombros para o fato de que por trás da faixa reservada ao idoso está o Estatuto que o protege. Com carteirada do infrator ou não, seria ele um peixe graúdo na rede dos fiscais de trânsito que poderiam zelar mais pela categoria de seus pais e/ou avós que dirigem.

Certo está o geriatra Dr. Wladmir Almeida Fighera, ao afirmar que “os idosos são os depositários da memória cultural de qualquer povo e devem ser respeitados”, (edição de 1°/10/2017 do Jornal da Manhã). Sua excelência, o Procurador Federal sem o Cartão do Idoso em sua caminhonete, sabe disso, todavia, deve ter se “esquecido”.

Aliás, o esquecimento do qual nós os idosos padecemos começou quando não esquecíamos nada, num tempo em que inexistia o Cartão do Idoso. Quem sabe pode até ser esse o caso em exame. Que se explique a si mesmo o Sr. Procurador Federal.

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