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Olga Maria Frange de Oliveira - 20/11/2017

Um Compositor de Valsas

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Algumas pessoas atuam em nossas vidas como anjos enviados por Deus portadores de boas-novas. Meses atrás, Mirtes Silva Fleury, amiga de longa data, fez chegar às minhas mãos um presente inesperado: uma pasta azul, contendo várias partituras musicais. Na capa, os seguintes dizeres: “Para Olga ver o que pode ser aproveitado. Com carinho, Mirtes”. Posteriormente, contou-me que há anos estavam esquecidas numa gaveta qualquer, sem nenhuma serventia e tinham pertencido à sua querida irmã.

Assim que abri a pasta, deparei-me, dentre outras peças, com uma coleção de músicas de Belmacio Pousa Godinho, dos mais variados gêneros. Curiosa, levei para o piano e comecei a dedilhá-las. Aos poucos, fui me apaixonando pelas obras, cada uma mais encantadora que a outra. Havia valsas de diferentes estilos (valsa espanhola, valsa lenta, valsa canção, valsa sentimental), tanguinhos brasileiros, chorinhos, polcas, mazurcas e outros gêneros. Simplesmente deliciosas para se ouvir e tocar.

A partir daí, fui atrás de informações sobre o compositor. Descobri que Belmacio nasceu em Piracicaba (SP), em 1892. Compositor, flautista e seresteiro, encheu de música as pacatas ruas de Piracicaba do início do século XX. Era filho de Severiano Pousa Fernandes, pedreiro de nacionalidade espanhola, e de Maria Pousa Godinho, D. Quita, costureira, filha de portugueses. Viveu em sua terra natal até os 25 anos, onde foi músico da Orquestra Lozano e chegou a montar suas próprias orquestras. Em 1916, diplomou-se como professor primário na Escola Normal de Piracicaba e, no ano seguinte, transferiu-se para Ribeirão Preto (SP), onde fixou residência, constituiu família e viveu 63 anos. Faleceu em 1980, aos 87 anos, deixando um legado de cerca de 300 composições.

Foi amigo de vários músicos uberabenses que atuaram nesse mesmo período. Encontramos composições suas no repertório da banda “Italo-Brasileira”, de Rigoletto di Martino, e na programação da orquestra da Confeitaria Central, sob a regência de João Villaça Junior, no ano de 1923. São elas: “Voluntários” (tango); “Divindade” (Fox-trot); “Anjo Fascinador” (tango de salão). Anos depois, em 16 de fevereiro de 1935, seu tango “Inesquecível Mágoa” foi tocado pela Banda do 4º Batalhão, sob a regência do sargento José Faustino, no coreto da praça Rui Barbosa.

Em 1925, visitou Uberaba e esteve na Redação do jornal “Lavoura e Comércio”, para tratar da divulgação de seu estabelecimento comercial, “A Musical”, a maior loja da região em artigos musicais, que tinha como representante em nossa cidade o músico Teophilo Riccioppo. Ao longo de sua vida, voltou diversas vezes a Uberaba.

Belmacio foi, antes de mais nada, um compositor de valsas, pois esse gênero abrange quase um terço do total de suas obras. Escreveu 84 valsas, sendo a mais famosa “Supremo Adeus”, escrita em 1917. Seus chorinhos também marcaram época.

Era um extraordinário melodista. Compunha sem nenhum esforço, pois a linha melódica surgia fácil, límpida e sedutora, sobretudo nas valsas. Nestas, utilizava na primeira e segunda partes tonalidades menores, que traduzem melhor sentimentos sombrios e melancólicos, fazendo uso do tom maior na terceira parte, onde introduzia uma atmosfera mais “luminosa” para amenizar a dor explicitada nas seções anteriores.

Como resultado deste “presente” da estimada Mirtes Fleury, haverá um Sarau Lítero-Musical em homenagem ao autor, dia 3 de dezembro. Nesse encontro, que contará com a participação de alguns talentosos alunos, a primeira parte do sarau será inteiramente dedicada ao compositor. Na oportunidade, falarei um pouco sobre a vida e obra desse grande músico.

Um abraço, Mirtes, e o meu eterno reconhecimento.

(*) Olga Maria Frange de Oliveira
Pianista, professora, maestrina, regente do Coral Artístico Uberabense, pesquisadora da História da Música em Uberaba, ex-diretora geral da Fundação Cultural de Uberaba

 




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