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Mrcia Moreno Campos - 12/11/2017

Noite violenta

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Tiros, explosões, mais tiros fortes, constantes, ora parecendo de revólver, ora de fuzil, e como se pudessem me alcançar em casa. A princípio, ao acordar com o barulho, às 3h30 da madrugada do dia 6 de novembro, achei que eram foguetes soltados por desocupados, mas aos poucos meu cérebro reconheceu o que só ouviu antes em filmes e noticiários de TV. Tudo isso na minha cidade de Uberaba, onde 30 homens fortemente armados explodiram a sede de uma empresa de transporte de valores e saíram espalhando terror pelas ruas. Uberaba viveu sua noite de velho-oeste, em tempos modernos e sofisticados, com armas poderosas e artefatos de última geração nas mãos de bandidos.

O que foi que aconteceu? Onde nos perdemos? Já vivi em uma época em que se ia a pé para a escola, se visitava avós sentados em cadeiras nas calçadas, paquerava-se na avenida Leopoldino de Oliveira, cortada por um córrego em cujas muretas os moços se encostavam esperando as moças passarem. A cidade era charmosa, tranquila, aconchegante. Dava gosto e orgulho ser uberabense e sentíamo-nos seguros vivendo aqui. Hoje, a cidade ajudou a eleger um governador que a menospreza e relega o item segurança pública ao último da lista. Nossas valorosas polícias carecem de recursos humanos e materiais porque a função de manter os cidadãos seguros, que é prerrogativa dos Estados, foi esquecida pelo governador petista. Quanto vale uma vida? Para quem governa, apenas tem o valor de um voto, desprezada em seguida. Também nas Prefeituras, que alegam situações de dificuldades econômicas, faz-se necessário priorizar gastos com medidas que valorizem e poupem a vida humana. Administrar é direcionar com sabedoria para áreas essenciais, recursos escassos. A lei trata os gestores públicos com tanta desconfiança que os obrigou a gastar percentuais fixos em educação e saúde. Terá que fazer o mesmo com segurança, porque contar com a sensibilidade dos que nos governam é esperar o impossível. O problema é seriíssimo e não há mais tempo a perder. Quem pode nos garantir que essa situação extremada e violenta não se repetirá? Exigir, sair às ruas, gritar, cobrar com veemência. Esse o papel do povo que não aceita mais viver entre tiros e medos e nem ser enganado por soluções que se limitam a infinitas reuniões, promessas não cumpridas e dinheiro mal gerido.




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