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Ricardo Cavalcante Motta - 14/10/2017

Rao e gua

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O pai não queria ter cachorro, mas, mesmo metido a durão, cedeu à vontade dos filhos ao pensamento de que a infância passa e é melhor arrepender-se do que fez que do que não fez. Depois da farra inicial pela chegada do animalzinho, como previa o pai, o bichinho tornou-se apenas mais um presentinho por ali. De vez em quando, era considerado. Um solitário, o pai, no máximo preocupado com a alimentação do bicho, passou sistematicamente a servir sua ração e água fresca. Pensava que não era justo faltar suprimento ao encarcerado. O cão reconhecia nele um amigo de fato. O tempo foi passando. O inocente bichinho, quando podia, abanava-lhe o rabo e lambia suas mãos. Festejava sua chegada sempre, não só pelo alimento, mas também por um elo de agradecimento inconsciente. Aos poucos, ocorreu que, mesmo distraidamente, distraidamente, passou a fazer algum afago no animal, embora não aceitasse maior ligação àquele bicho das crianças. Certo dia, furtaram o cão. Ele, intimamente, até que gostou. Sem culpa, livre do ônus. No entanto, pouco tempo depois, sempre se encontrava lembrando-se do cãozinho. Perguntava-se o motivo, mas, ainda que resistindo a reconhecer, teve que admitir para si que estava com saudades daquela silenciosa amizade. Não era possível, estava com saudades daquele bicho, o que não combinava com seu duro coração racional. Saudade de bicho? Perguntou-se. Constrangido, guardou para si essa conclusão. Porém, o pensamento sempre o traia com aquele sentir. Enfim, absorveu que, mesmo mal decifrada, aquela relação cotidiana tornou-se uma afeição. Sentia, sim, falta da conexão inocente, sem cobrança ou interesse, hoje tão rara entre as pessoas. Percebeu que o afeto, venha de onde vier, é valoroso e faz muito bem. Humildemente, admitiu que sua solidão entre muitos decorria de sua postura distante, indiferente. Compreendeu, afinal, que as pessoas, certamente, também esperam e buscam muito mais que “pão e água”...




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