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Ilca Borba Marquez - 13/09/2017

O crepsculo dos deuses

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Sentar em frente do computador para elaborar um artigo é, atualmente, um convite, impossível de ser rejeitado, de refletir sobre nossos dias de tormenta que, mesmo não sendo de origem físico-química, é endêmico e contagiante. Causa-nos horror e vergonha, no entanto, temos que tentar tirar o máximo de proveito disso tudo. Já que não podemos evitar viver, somos obrigados a prestar atenção, analisar, refletir e conhecer, para depois podermos evitar. Quem sabe assim conseguiremos deixar para as gerações futuras um Brasil melhor?

Causa-nos estranheza a facilidade com que os atuais “Deuses da Política Brasileira” falam de bilhões ou mesmo trilhões de dólares/reais como nós só conseguimos falar de centenas de reais. É um elemento diferenciador de tamanha magnitude que impressiona sobremaneira e nos sentimos completamente distantes deles como um todo. A grande dicotomia brasileira não está como sempre nos fizeram acreditar entre as classes C/D e a classe A. O grande espaço intransponível está entre os dirigentes com sua “corte empresarial” e nós – o povo brasileiro. Não sei em quanto tempo o ex-ministro conseguiu juntar mais de 51 milhões de reais/dólares, mas sei muito bem que não conseguiremos chegar nem mesmo perto de tal façanha numa vida inteira de trabalho e economia.

Que homens são esses? Aproveitando o conhecimento que outras áreas de ações humanas, como os assassinatos por amor, podem nos fornecer, já compreendemos que no gênero masculino encontramos o maior número de violências perpetradas em nome da honra ou do amor. A história da humanidade registra poucos casos de esposas ou amantes que mataram por se sentirem traídas ou desprezadas. Quero defender com unhas e garras a crença em que a emancipação feminina não irá trazer também esta igualdade: a igualdade no crime e na violência. O crime passional costuma ser uma reação daquele que se sente “possuidor” da vítima. O sentimento de posse pode decorrer do fator econômico e, também, do sexual, mas não só. Sustentar a mulher pode dar ao homem a sensação de “tê-la comprado”. Por isso, quando se vê contrariado, repelido ou traído, acha-se no direito de matar. Mas isso não explica a totalidade das relações de poder.

Esses políticos, que também se tornaram “famílias de políticos” (será que vivemos uma monarquia/republicana?) e vivem numa conhecida “ilha da fantasia” estão encharcados na lama do poder e, realmente, acreditam que são os “Donos do Brasil”. O Brasil lhes pertence e assim tudo que o Brasil tem de riquezas e bens também são deles mesmos! Como a sociedade reage a esses “roubos”? Eles são execrados ou perdoados? Quais as consequências decorrentes de tanta desfaçatez e falta de caráter? Até agora, Nada, já que nos próximos governos eles estarão lá novamente elegidos por milhões de eleitores! Até quando?  

(*) Psicóloga e psicanalista
ilceaborba@gmail.com




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