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Maria Aparecida Alves de Brito - 05/06/2017

O Jogo do Crack

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Esta semana, um guarda municipal em São Paulo agrediu um morador de rua, quebrando-lhe o braço e apreendendo sua carrocinha, onde ele guardava o que lhe restou da vida, o que ele julgava ser-lhe de mais caro. Aquele era o seu lar. Outro fato chamou e mobilizou a atenção de todo o país. Na maior cidade brasileira, foi travada uma batalha entre traficantes, “crackeiros”, como são chamados por lá os usuários da famigerada droga, e a polícia. E, entre um monte de barracos, lixo e objetos incendiados, transitavam, de um lado para outro, sem rumo, olhar perdido no tempo, os esquecidos do mundo. Que dias tristes estamos vivendo.

Jovens, em idade produtiva, descambam para as drogas e se viciam, arruinando suas vidas física e moralmente. Com suas incertezas, suas neuroses e fraquezas, não encontram forças para se reerguerem. Meninas adolescentes engravidam, infectadas pelos vírus HIV, sífilis, tuberculose e, abandonadas e sem tratamento, lançam tristes olhares onde antes existia, pelo menos, um refúgio improvisado. A Mãe Pátria, sem ordem e nem progresso, encontra-se ameaçada pelo poder paralelo que se constituiu nos palácios e palacetes em Brasília e se espalhou pelos estados.

Os homens públicos, indiferentes e permissivos, de dentro de seus luxuosos gabinetes, a tudo assistem, preocupados que estão com o que acham ser de mais rentável e lucrativo do que uma vida humana. Na minicidadela chamada “cracolândia”, com suas regras e leis, os traficantes dão as ordens e, lamentavelmente, assistem ao desmantelamento das instituições vigentes no país. A desolação das pessoas continua, apenas mudou de lugar. Neste momento precisam submeter-se às novas circunstâncias, até que a Justiça delibere os caminhos a serem seguidos para esses pobres sobreviventes. Usar de força contra seres mergulhados na tragédia não é avançar rumo à solução de nenhum problema.

Aqueles pobres coitados não se encontram em condições de deliberarem sobre a própria vida, esgotados que estão em decorrência dos exaustivos dias e noites ao sabor e horror das drogas. Os erros do passado mostram que a hostilidade contra a pessoa fragilizada não produz o efeito desejado e não termina com a dor e a agonia. A reabilitação e a recuperação passam pelo sentimento do amor, da solidariedade e da fraternidade. Por enquanto, os zumbis perambulam e a sociedade aguarda, sem muito o que fazer, a não ser cobrar urgência, porque quem sofre tem pressa.

Maria Aparecida Alves de Brito
Pedagoga, especialista em Educação Especial e arte-educadora




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