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Dom Paulo Mendes Peixoto - 11/03/2017

Permanente xodo

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A vida da pessoa humana é marcada por uma permanente caminhada com o objetivo de chegar à plena realização pessoal. Com o antigo patriarca Abraão também foi assim: ir ao encontro da terra prometida. Na sua visão, essa seria uma “terra sem males”, que podemos chamar hoje de sociedade justa e de paz. Mas o caminho tem muitas marcas de fragilidade, que precisam ser ultrapassadas.

A Quaresma faz parte do caminho do cristão. Ela é tempo de penitência, de conversão e de discernimento consciente nas diversas encruzilhadas que vão sendo encontradas. Esse não é um caminho fácil, porque supõe autêntica coerência na fé, muito sacrifício e renúncia. É fazer a escolha do caminho certo no meio da emaranhada possibilidade de estradas dos novos tempos.

A dimensão avantajada que temos no território brasileiro e a rica diversidade nele existente, principalmente quando visualizamos o formato de seus biomas, entendemos o porquê de tanta migração interna no país. O povo vive caminhando em busca de melhores condições de vida. Ele é provocado por fatores climáticos, pela atuação das grandes empresas, pela destruição, o desemprego, etc.

O Brasil continua com permanente êxodo rural. Nenhum pequeno proprietário consegue sobreviver no campo, com sua economia familiar, sofrendo a pressão da monocultura da cana, do eucalipto, ou da soja. Além disso, temos a violência no campo, nas casas, nas fazendas. Os assaltantes estão, também, saindo das cidades, deixando os moradores da zona rural inseguros.

As cidades se tornaram permanente refúgio dos migrantes. Eles deixam suas terras, seu habitat de origem e se tornam massa na periferia dos grandes centros urbanos. Em geral, enfrentam uma realidade de sofrimento, de fome, de violência e de envolvimento com o mundo das drogas, que passa a ser seu “ganha-pão” para se sobreviverem. A realidade agora tem muito a marca da violência.

O Projeto libertador de Deus acontece numa dinâmica que transfigura a vida das pessoas. Caminhar na fé significa desinstalar-se e sair do comodismo para enfrentar nova realidade. Aí deve existir a marca da justiça e da vontade de Deus. É uma tarefa de seguimento de Jesus Cristo que se transfigura no monte, mas desce para ir ao encontro das pessoas mais necessitadas da sociedade.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

 




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