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Maria Aparecida Alves de Brito - 27/04/2015

Mulher... Mulher...

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 Mulher... Mulher...

Uma série de impiedosos e violentos assassinatos de mulheres tem chocado o país e chamado a atenção das entidades ligadas aos Direitos Humanos. É um horror o que homens truculentos e exaltados, numa brutalidade sem limite ou razão que justifique tal ato, praticam contra um ser fisicamente mais frágil e indefeso. Ao serem presos, os agressores não demonstram o mínimo arrependimento pelo ato cometido. O que importa é a questão que motivou o ódio transformado em crime. Uma suposta traição, ciúmes, uma gravidez indesejada.

O que vem ocorrendo há muito tempo e que torna as mulheres alvos fáceis desses seres sem escrúpulos, é, principalmente, a falta de leis mais duras que tornam esse tipo de crime um crime hediondo, como acontece com estupro. Não que vá terminar com esses ataques covardes, mais pelo menos, diminuir.
O que aconteceu dias atrás com uma dançarina foi uma barbárie, como tantas outras já presenciadas e toleradas pela sociedade. Tornaram-se casos corriqueiros, uma vez que nada ou quase nada acontece com o agressor. E nesse contexto de impunidade, os homens (se é que assim podem ser classificados na cadeia evolutiva) assumem sem pudor algum a sua falta de princípios, a sua condição de homens traídos e humilhados.

Centenas de mulheres correm o risco de se tornarem alvos dessa saga sem fim, tamanha a facilidade que os homens encontram em acabar com seus sonhos e suas vidas. Comenta-se o caso nas redes sociais, viram manchetes em jornais, revistas e televisão, a polícia prende, mas a lei ultrapassada solta e o fato logo cai no esquecimento, virando estatística, como as mortes ocasionadas por balas perdidas em tiroteios entre bandidos e policiais.

O sentimento de posse do homem sobre a mulher é tão arraigado em nossa sociedade, que mesmo após o término do relacionamento entre os dois, a mulher tem que permanecer intocável, como se dele propriedade fosse, caso contrário, seu corpo será, em diferentes graus de violência, esmagado, destruído. Seus familiares não poderão dela se despedir, pois de seu rosto não sobrou absolutamente nada. E lacra-se o caixão, e com ele enterra-se mais uma história de vida que terminou em nada. E nesse mundo louco, sem valores morais só nos resta a pergunta: onde vamos parar?

Maria Aparecida Alves de Brito
(*) Pedagoga, Especialista em Educação Especial




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