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CIDADE

Sindicato Rural de Uberaba pode ir à Justiça contra escola de samba

Medida jurídica contra o que considera ofensivo ao agronegócio está sendo estudada pela entidade

- Por Thassiana Macedo Última atualização: 15/01/2017 - 20:27:22.

Foto/Reprodução

Após repercussão causada pela divulgação do enredo da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense, enaltecendo os índios do Xingu e com críticas a práticas agressivas ao meio ambiente, o Sindicato Rural de Uberaba estuda tomar medidas mais enérgicas contra o que tem se considerado ofensivo ao agronegócio brasileiro. De acordo com o presidente da entidade, Romeu Borges de Araújo Júnior, propagar críticas contra a agremiação só vai fazê-la ganhar mais 'ibope' do que ela merece.

Na última sexta-feira, Romeu Borges se reuniu com o departamento jurídico do Sindicato e alguns juristas especializados para avaliar que medidas mais específicas podem ser adotadas para coibir o que a entidade tem classificado como ofensa ao setor produtivo. “Primeiramente, estamos estudando o assunto juridicamente, com muita responsabilidade e com profundidade para saber a real possibilidade de tomarmos medidas mais enérgicas. Não temos nada decidido ainda, mas avaliamos uma jurisprudência relacionada a um caso semelhante ocorrido em um carnaval de mais de 20 anos atrás, em que quiseram colocar o Cristo Redentor vestido de mendigo”, afirmou.

O presidente do Sindicato Rural lembrou que a escola que realizaria o desfile polêmico em 1989 ganhou muito 'ibope' com as críticas à intervenção. “Nosso papel agora é estudar o caso com profundidade, em especial as alas que possam vir a ser ofensivas, pois o objetivo é avaliar se realmente existem alas com ataques ao segmento agropecuário e chamar entidades fortes do setor, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e outras entidades nacionais, já que o sindicato sozinho teria dificuldade de obter sucesso. Há alas ofensivas ao segmento que está presente de Norte a Sul do Brasil, que vinculam o pequeno produtor, o agricultor orgânico, até o megaempresário ao uso de agrotóxicos, como se o produtor fosse o mentor do produto. Na realidade, o produtor apenas utiliza as tecnologias impostas pelo mercado, através das indústrias de insumos agrícolas”, reforçou.

Romeu Borges ressalta que o setor rural é responsável por 22% do PIB nacional e a conduta da escola pode atentar contra a segurança econômica brasileira ao fazer acusações sem responsabilidade. “É uma questão de respeito à segurança nacional, que depende da imagem de um segmento que exporta produtos. Vincular o produtor ao agrotóxico é arriscado, pois quem produz agrotóxicos e defensivos agrícolas são grandes multinacionais chanceladas pelos órgãos de defesa sanitária. Da forma como o assunto está sendo conduzido pela escola, algumas alas podem induzir que o produtor está cometendo ato ilícito. O carnaval aparece no mundo todo e isso pode ser interpretado de maneira negativa por outros países”, alertou.

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